terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Café

Um aroma envolvente, feito de vida e de tempo, pairava bem à minha frente numa simples chávena de café.
Nostalgias de paisagens tropicais, em cores que a vida combinava, perpassavam na mente como sonhos inalcançáveis, ou já passados por querer.
Vivências circunstanciais de cidades, continentes, de fortuitos encontros, paixões, negócios, amizades, mágoas e desesperos, alegrias e tristezas, encontros e abandonos, soltavam-se em vapor e aroma.
Volúpias etéreas que emergem e se selam ou despedem num simples trago amargo ou doce, desenhando interrogações no fundo de uma chávena.
Depois um beijo quente e sentido de magia de um sabor.
Fechei os olhos e deixei-me transportar até ao âmago da dor, ou seria do prazer?

Fernando Magalhães - 2013

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